Resumo

Título do Artigo

Cadeia de Valor Inclusiva e Iniciativas de Desenvolvimento Sustentável na Reserva do Rio Negro
Abrir Arquivo

Palavras Chave

Cadeia inclusiva de Valor
Plano de Manejo Florestal
Inovação Social

Área

Inovação | Innovation

Tema

Cadeias globais de valor | Global value chains

Autores

Nome
1 - TANIA M V LIMEIRA
2 - SILVIA MARINA PINHEIRO

Reumo

A pesquisa teve por objetivo analisar o impacto dos Planos de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala e do Projeto Manejar para Conservar na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, na perspectiva das comunidades beneficiadas e dos gestores dos Planos e do Projeto, bem como a inserção dos pequenos produtores na cadeia de produtos florestais madeireiros.
A metodologia foi exploratória descritiva, baseada em análise documental, entrevistas e visitas de campo. Entrevistas individuais e presenciais foram realizadas com gestores e técnicos envolvidos na implementação do Plano de Manejo, bem como os manejadores, com base em questionários semiestruturados, seguindo um roteiro de temas selecionados nas abordagens teóricas. As entrevistas foram gravadas e tiveram duração de aproximadamente duas horas. A análise dos resultados se baseou nas abordagens da sociologia do desenvolvimento e da teoria da cadeia de valor. Também foram coletados e analisados dados técnicos e econômico-financeiros publicados por instituições de pesquisa e órgãos governamentais sobre a cadeia de produtos florestais madeireiros no Amazonas.
Os resultados da pesquisa convergem com os estudos teóricos sobre os benefícios proporcionados aos pequenos produtores locais em decorrência da implementação dos Planos de Manejo e de sua inserção nas cadeias locais e globais de valor. Verificou-se uma experiência de inovação social, que possibilitou a extração da madeira legalizada, a geração de renda, a ampliação da consciência ambiental e do sentimento de cidadania dos ribeirinhos e comunidades participantes , ao mesmo tempo que preserva a biodiversidade da floresta. O apoio das políticas públicas e o financiamento público e privado foram decisivos para o alcance das metas planejadas, assim como o Projeto Manejar para Conservar, apoiado pelo Instituto Camargo Correa e a Fundação Amazonas Sustentável, promovendo a capacitação dos manejadores em gestão administrativa e financeira dos empreendimentos, e realizando investimento no fomento do empreendedorismo ribeirinho.
A pesquisa indicou que os planos de manejo de pequena escala são um forte incentivo à permanência das famílias nas RDSs, contribuindo para as metas de REDD + . No entanto, para garantir os benefícios aos pequenos produtores no curto e médio prazos, é necessário adotar estratégias como a qualificação técnica para atendimento da demanda nos requisitos de qualidade, padrões produtivos e práticas comerciais; a adaptação dos relacionamentos comerciais e da estrutura da cadeia de valor para incluir os pequenos produtores; a adaptação das práticas de suprimentos das empresas líderes da cadeia de valor; e investimento em estratégias mais amplas de melhoria sustentável das condições de vida dos produtores, como saúde e educação. Em geral, os produtores que alcançam maiores benefícios nas cadeias de valor são os que estão organizados em cooperativas ou órgãos de representação de seus interesses, o que aumenta seu poder de barganha.
O valor acadêmico está em analisar como os Planos de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala se inserem nas cadeias de valor e podem provocar o desenvolvimento local sustentável com a inserção socioprodutiva das populações locais. Desse modo, corrobora a abordagem do potencial das cadeias inclusivas de valor para gerar inovação social, por meio de um processo de criação coletiva, no qual os membros de uma comunidade aprendem, inventam e estabelecem uma nova prática social e, nesse processo, adquirem as necessárias habilidades cognitivas e organizacionais que contribuem para a mudança social. Também corrobora a questão de como garantir, de forma justa, a repartição dos benefícios entre as empresas que lideram as cadeias de valor e os demais stakeholders, a começar pelos preços pagos aos pequenos produtores, especialmente se houver desequilíbrio de poder de barganha.